quinta-feira, 9 de abril de 2015

De volta.

  Tá barulho demais aqui dentro, né? Não, não precisa desligar o ventilador. Deixa eu apoiar meu queixo no seu ombro aqui, enquanto você se distrai com as notificações. Você tem que apagar o numerozinho e eu tenho que apagar essa sensação de desespero. Nenhum dos dois é realmente verdadeiro, né? Mas nossa, como incomoda.

Mas e agora? E se ficar assim é tudo que eu posso fazer? E se eu estagnar aqui completamente? Você sempre me olha como se o mundo não fosse páreo pra mim, mas eu sempre te olho como alguém que já perdeu demais pro mundo. E o mundo me deixa ter um lugar tão perfeito como o seu colo pra descansar, mesmo que eu continue cansada. Porque ficar em pé parada é muito pior que caminhar, e talvez seja por isso que cada dia mais eu me sinta pior com isso.

Eu só quero voltar a caminhar, para não sentir mais que eu, presa aqui na minha cabeça, cada dia te seguro mais.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não bate na cara da amizade 2.

Com os olhos turvos, a visão do teto se tornava impossível. Mas era só mais um teto, e eram só mais duas pessoas deitadas no chão se apoiando. Enquanto os soluços baixos eram seguidos por palavras de conforto e sinceridade, as lágrimas que deixavam os olhos castanhos ainda mais claros e inchados fazia seu caminho pelos cantos. Os cachos perfeitos que se mantinham ao seu lado continuaram, agora com mais firmeza, a acalmar aqueles olhos tristes. E, naquele chão gélido com um teto distorcido, os cachos dos dois e os olhos cansados conseguiram, por um período de tempo, se sentirem parte de si.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Proteção na perna esquerda.

As fumaças dos poucos cigarros pretos, comprados para viverem apenas durante esses dias de distorção de mundo, entravam devagar pelos pulmões nas ruas. Nunca em casa. E nessa loucura toda veio tanta gente, tanto amor e tanta divesão, que quase mudou aquele pensamento antigo que ainda circula pela mente. Aquele de que as pessoas não duram, e não há nada que mude isso. Mas durante menos de uma semana, não houve medo de acabar. Tudo tem seu fim, e talvez não haverá outra época onde esse sentimento de felicidade plena volte, mas nesses dias era tudo que importava.

Não que o cansaço e aquelas antigas frustrações tenham desaparecido. Muito pelo contrário. Estavam lá, vivas, caminhantes, alguns metros de distância, sem destruir nada. Apenas aproveitando a liberdade que também tinha direito, sem ruir o que existia novamente.

E agora que acabou é a hora de sorrir, certo? Nada de dizer que gostaria de viver essa distorção eternamente. Ninguém suportaria esse mundo alegórico, por isso ele tem fim. E agora que o final chegou. Volta a loucura de passar de período, saber encarar as dores dos desamores e tentar entender o que fazer da vida.

E, com toda essa loucura chamada realidade, quem vê realmente a alegoria do Carnaval?

domingo, 21 de outubro de 2012

Conversa comigo?

Desculpa, é que tá trovejando. É, eu ainda tenho medo. Não, não tô tremendo.. não ainda. Tá alto demais, por aqui sim. Liga um som, não precisa falar nada. Eu prefiro te ouvir sim. Essa música me entristece, mas serve. Tá fazendo as janelas tremerem. Pera, deixa eu respirar fundo. Esse foi muito longo, não esperava tanto. Pode desligar o celular? Quando acabar você liga de novo. Não precisa se não quiser. Fecha a janela, vai molhar tudo aqui. Seus papéis tão encharcados. Esses são seus textos novos? Você ainda não vai me deixar ler? Tá piorando, né? Quer que eu procure outra pessoa? Não, eu não quero outra companhia, mas não quero exigir isso de você. Você não precisa cuidar de mim, eu sei me cuidar. Eu só tenho esse medo que não passa, só melhora quando você me faz rir.
Então conta uma piada? Você gosta de contar piadas. As suas piadas são as mais perfeitas e as mais sem-graça, e eu amo porque você conta com essa cara de criança. Então pode contar, que eu acabo rindo no final, junto contigo. Só fica aqui mais um pouquinho.

Burrice.

Ficar batendo na mesma tecla é burrice. Não tem mudança nenhuma, só cansaço da parte de apertar e da tecla. Mas ninguém pensa em como a tecla também sofre. Ela sabe que você quer mudar, mas não consegue e ela só pode repetir o que aconteceu antes. A tecla quer te ajudar sem te ferir, mas não pode.
Sempre tem dois lados, e um deles vai se foder. Não tem jeito. Nenhuma história acaba com "e o mocinho e a mocinha viraram melhores amigos enquanto ele esquecia que era louco por ela.", acaba com um tremendo na chuva enquantto o outro tenta evitar que os dois se molhem. E a chuva não vai parar de cair, até o guarda-chuva seguir o caminho de quem o segura.
Parece burrice mesmo. E até deve ser. Agora, qual o problema de ser burrice? Deixa a menina ser burra. Deixa ela pressionar aquela tecla até quebrar. Deixa ela sofrer até cansar, porque uma hora cansa.